sábado, 3 de janeiro de 2015

Nota do PSOL sobre alterações nos Direitos Trabalhista e Previdenciários

A Executiva Nacional do PSOL emitiu Nota a população brasileira condenando a Medida Provisória da Presidente Dilma que restringe o acesso dos trabalhadores ao seguro-desemprego, auxílio defeso, pensão por morte, abono salarial e seguro-doença. O PSOL repudia essas medidas e considera um ataque aos direitos trabalhista e previdenciários dos trabalhadores. Leia a Nota...

NOTA DO PSOL SOBRE ALTERAÇÕES NOS DIREITOS TRABALHISTAS E PREVIDENCIÁRIOS

Dois dias antes da posse para seu segundo mandato, a presidenta Dilma Roussef anunciou, através do Ministro-Chefe da Casa Civil, alterações nas regras para a concessão de cinco benefícios previdenciários: seguro-desemprego, auxílio defeso, pensão por morte, abono salarial e seguro-doença. As mudanças fazem parte do chamado “ajuste fiscal” que o governo tem feio com o objetivo de enxugar os investimentos públicos e, assim, economizar o suficiente para seguir bancando a farra dos especuladores que lucram com as altas taxas de juros praticadas pelo governo brasileiro. A estimativa do governo é que estas medidas "economizem" até R$ 18 bilhões de reais.

Esse ataque aos direitos dos trabalhadores visa dificultar o acesso a esses benefícios. Um pescador artesanal, por exemplo, agora terá que trabalhar três anos sem qualquer amparo antes de requerer o auxílio-defeso, benefício pago pelo governo no período em que a pesca é proibida devido à reprodução dos peixes. A pensão por morte, por sua vez, só será paga ao dependente se quem morrer tiver contribuído por, pelo menos, 24 meses. Assim o governo institui uma espécie de “carência” aos moldes dos planos de saúde privados, impedindo que este benefício seja concedido a milhões de pessoas que dele necessitarão a partir de agora. Quanto ao seguro-desemprego, essencial para garantir uma recolocação no mercado de trabalho, só será concedido caso o trabalhador tenha tido ao menos 18 meses de carteira assinada, triplicando o tempo exigido atualmente. Um absurdo num mercado de trabalho com alto índice de rotatividade!

Tudo isso serve a um propósito: ajustar as contas para agradar o mercado e grande capital. Ao invés de cobrar a conta da crise econômica dos bilionários que seguem lucrando como nunca, o governo opta por dividir a fatura da crise com quem mais precisa: os desempregados, os dependentes que perdem seus companheiros ou companheiras, os pequenos pescadores, os trabalhadores que se afastam do trabalho por doenças que o impeçam de continuar com suas atividades laborais.

E tudo feito no apagar das luzes de 2014 com o beneplácito de centrais sindicais vendidas ao governo, sem qualquer autonomia para opor-se a este ataque aos direitos trabalhistas e previdenciários! Com isso, Dilma demonstra que seu governo, longe do que foi proclamado por ela no segundo turno das eleições, será marcado por mais arrocho e menos direitos para os mais pobres e aqueles que vivem do seu trabalho.

O PSOL repudia as medidas anunciadas pelo governo e reafirma seu compromisso com os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Teremos um 2015 de muitas lutas, enfrentando desde já todos aqueles que atacarem os direitos do povo brasileiro. Para isso, fortaleceremos as iniciativas desatadas pelos movimentos sociais para lutar por mais direitos e barrar qualquer ofensiva contra os trabalhadores. Se o governo e os patrões terminarão 2014 atacando os direitos trabalhistas e previdenciários, começaremos 2015 de pé, lutando contra este e outros retrocessos que as elites tentarão impor.

Venceremos!

Executiva Nacional do PSOL
30 de Dezembro de 2014.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Edital de Convocação da Comissão Executiva do PSOL Amazonas


EDITAL DE CONVOCAÇÃO DA EXECUTIVA ESTADUAL – PSOL – AM.

EDITAL DE CONVOCAÇÃO DA EXECUTIVA ESTADUAL DO PSOL DO ESTADO DO AMAZONAS – O Presidente da Comissão Executiva Estadual do PSOL – Partido Socialismo e Liberdade do Estado do Amazonas, no exercício das suas competências, convoca os membros da Comissão Executiva do PSOL do Amazonas, para participarem da reunião a ser realizada no próximo dia 15/12/2014, no endereço: Avenida Constantino Nery, 1913 – São Geraldo – Manaus, com inicio as 9:00h (1ª e 2ª convocação), para deliberarem a Ordem do Dia: Item 01) Informes; Item 02) Substituição do cargo de secretário de finanças em vacância definitiva no Diretório Estadual do PSOL no Amazonas; Item 03) Substituição do cargo de Secretário de Direitos Humanos do PSOL no Amazonas.

Manaus, 12 de dezembro de 2014.

Raimundo Elson de Melo Pinto

Presidente do PSOL-AM.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Reforma Politica: Seminário dia 8 de dezembro na sede do PSOL (AM)

A Reforma Politica é o principal tema  em todos os partidos, movimentos sociais, sindicatos e outras entidades da sociedade civil.

Enquanto as instituições ligadas a esquerda socialista defendem uma reforma política que preserve o direito à livre organização partidária, a diminuição do poder econômico sobre as eleições e a ampliação dos instrumentos de participação direta, partidos e entidades conservadores ligados à mídia tradicional e ao empresariado pretendem concentrar ainda mais o controle sobre o processo
eleitoral nas mãos de poucos partidos.

O momento requer dos lutadores sociais um esforço gigantesco para, mobilizar a população brasileira em torno de uma proposta que assegure o fortalecimento da democracia e maior participação das classes subalternas no processo politico do país.

Para instrumentalizar os lutadores sociais combativos, o PSOL Amazonas, vai realizar no próximo dia 8 de dezembro (segunda-feira, feriado), um seminário sobre a Reforma Politica. O evento contará com a participação do Secretário Nacional de Comunicação do partido Juliano Medeiros, que apresentará a proposta de Reforma Politica do PSOL. Na oportunidade, será definido um calendário de mobilização e a estrategia de atuação do do partido nesse processo.

Evento: Seminário "Reforma Politica, Urgente e Necessária"
Data: 8 de dezembro de 2014 (segunda-feira,feriado);
Horário: Inicio 9:00h., termino 13:00h.
Local: Sede do PSOL Amazonas
Endereço: Av. Constantino Nery, 1913, São Geraldo, Manaus (AM) 

O Seminário é aberto a participação dos lutadores sociais que desejam contribuir nesse processo de mobilização social, filiados ou não ao PSOL.

Durante o evento faremos um ato de acolhida aos novos filiados do PSOL no Amazonas. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Reunião do Diretório Estadual do PSOL Amazonas: Convocatória


CONVOCATÓRIA 

Convoco todos os membros efetivos e suplentes do Diretório Estadual do PSOL Amazonas, os ex-candidatos(as) majoritários e proporcionais que concorreram nas eleições 2014 e, os filiados apoiadores para, reunirem-se no dia 29 de novembro de 2014 (sábado) as 14:30h., na sede do partido, Av. Constantino Nery, 1913, São Geraldo, Manaus - Amazonas.

    PAUTA

  • Conjuntura; 
  • Balanço das eleições 2014;
  • Perspectivas para 2015/2016. 

Raimundo Elson de Melo Pinto
Presidente do PSOL-AM.

sábado, 15 de novembro de 2014

Reunião Balanço das Eleição 2014 e Perspectiva para 2015

Camaradas do PSOL Amazonas

As eleições é um período de intensa agitação e propaganda do partido, é o momento que temos para nos dirigir as massas para, afirmar nossas convicções sobre o que queremos e o que pretendemos fazer para transformar a realidade social e econômica do nosso povo.

É nesse período também, que o partido se afirma como uma alternativa politica capaz de devolver a esperança a muitas pessoas que por diversas razoes, tornaram-se céticos com a politica e os políticos. Portanto, as eleições não podem ser vista pelos militantes da esquerda socialista como um momento subjetivo e sem importância para as transformações que pretendemos alcançar.

Diante dessas considerações, convido toda nossa militância para uma reflexão objetiva sobre as eleições de 2014, observando nossas expectativas, nosso compromisso histórico com o presente e o futuro das lutas sociais que precisamos influenciar para, esclarecer a classe trabalhadora as contradições do capital diante da democracia e do papel do Estado.

A nossa reunião de Balanço das Eleições, é um momento para identificar nossa potencialidade, corrigir os nossos pontos fracos e projetar ações concretas para fortalecer o partido. Aguardamos vocês na reunião.

CONVITE

Estamos convidando todos os membros do Diretório Estadual, Militantes, ex-candidatos e apoiadores da campanha do PSOL Amazonas nas eleições 2014 para, participarem da REUNIÃO DE BALANÇO DAS ELEIÇÕES 2014 que será realizada no dia 22 de novembro de 2014.

SERVIÇO

REUNIÃO DE BALANÇO DAS ELEIÇÕES 2014
Data: 22-11-2014
Horário: de 16 as 19 horas
Local: Sede do partido
Endereço: Av. Constantino Nery, 1913, São Geraldo

Manaus – Amazonas 

Elson de Melo – Presidente Estadual do PSOL(AM)

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Morre o filosofo marxista Leandro Konder: o PSOL e os socialistas perdem mais um ilustre militante!

“O século 20 foi um período terrível porque nos ensinou que as pessoas se apegam facilmente em certezas”. 
...Leandro Konder

Por Elson de Melo* - Faleceu na tarde dessa quarta feira (12/11/2014) o Filosofo marxista e militante do PSOL Leandro Konder. O PSOL e a esquerda socialista perdem um grande militante! Estudioso do marxismo Leandro Konder dedicou a vida em estudar e elaborar teses e ideias para libertar a classe trabalhadora do jugo dos capitalistas. Para ele, a causa socialista não está destruída. O socialismo precisa superar as derrotas sofridas, ver o que está vivo e o que está morto e seguir em frente. O filósofo marxista afirmou que faltou um certo jogo de cintura aos socialistas que participaram das primeiras experiências do século XX, como ter em mente que é preciso motivar as pessoas para que elas queiram participar.

“Leandro Konder nasceu em 1936, em Petrópolis (RJ), filho de Valério Konder, médico sanitarista e líder comunista. Formado em Direito, Leandro exilou-se em 1972, após ser preso e torturado pelo regime militar, e morou na Alemanha e depois na França até seu regresso ao Brasil em 1978. Doutorou-se em Filosofia em 1987 no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. É professor do Departamento de Educação da PUC-RJ e do Departamento de História da UFF. Com vasta produção como conferencista, articulista de jornais, ensaísta e ficcionista. Em 2002 foi eleito o Intelectual do Ano pelo Fórum do Rio de Janeiro, da UERJ. Um dos maiores estudiosos do marxismo no país, coordenou, em conjunto com Michael Löwy, a coleção Marxismo e literatura, da Boitempo.

Konder sofria de Mal de Parkinson há muitos anos e veio a falecer em casa em 12 de novembro. O velório será no Cemitério Memorial do Carmo a partir das 15h da quinta-feira 13 de novembro.” (fonte: Boitempo)

Descanse em paz camarada! In’ memoriam ao grande lutador Leandro Konder, transcrevemos abaixo um texto que ele produziu para o PSOL confira...

Teoria para o PSOL
Leandro Konder

Um velho amigo meu, que sabia grego antigo, me disse uma vez que a palavra “teoria” vinha do grego, theoro, que significava “eu vejo”. Como nunca verifiquei essa etimologia, tenho a impressão de que, ao usá-la, estou sendo um pouco aventureiro.

Apesar disso, na abordagem do tema, ao tentar responder à pergunta “o que é teoria?“, não fui capaz de resistir à tentação de recorrer à etimologia que o meu amigo me ensinou, mesmo suspeitando que ela seja fantasiosa.

No nosso trabalho e na nossa atividade política, vez por outra aparecem idéias que não estão provadas, mas são verossímeis. O que se poderia objetar a essa hipótese implícita na origem da palavra “teoria”?

 Os acertos da teoria dependem do acerto fundamental com que ela se situa no nível que lhe é mais adequado, isto é, no nível em que estão formuladas as demandas que ela é desafiada a atender.

Os conceitos e as imagens mais abstratos que nós podemos conceber são filosóficos. Quem perguntar quem somos nós, de onde viemos, para onde vamos, estará sem dúvida fazendo filosofia (ou se divertindo à custa dos filósofos).

Entre nós, nas lutas da esquerda, houve, no passado, momentos nos quais transparecia, nitidamente, certa desconfiança na teoria, certa suspeita no recurso (abusivo?) de argumentos “cerrados”, que podiam “intimidar“ o interlocutor.

Alguns ativistas, militantes, exageravam no ”praticismo” e chegavam a se orgulhar de serem ignorantes. Eram, em geral, companheiros que desejavam sinceramente continuar a lutar. Creio que, embora mal formados no plano teórico – citavam os “clássicos” misturando os níveis de abstração das ideias citadas ― esses companheiros, movidos pela paixão revolucionária, contribuíram muito para o movimento dos trabalhadores e para o questionamento do domínio burguês, no Brasil.

Outra coisa: apesar de sua incompreensão da importância da teoria, esses bravos militantes alertavam os companheiros para o risco de uma superestimação da mesma, o que efetivamente ocorria em alguns ambientes.

Alguns conceitos filosóficos eram de difícil interpretação. O conceito de teoria deu um passo adiante, nesse momento, quando foi introduzido nos debates o conceito de práxis, que Karel Kosik¹ considerava o conceito mais importante do marxismo.

Na contraposição teoria x prática, como fica a práxis? Em princípio, ela se apóia no primado da ação. O próprio conhecimento humano nos remete ao nível decisivo da história que estamos fazendo (ou que “eles” estão fazendo contra nós).

A aproximação da práxis à prática é fruto de uma grave confusão. Não é qualquer prática que é práxis. As atividades mecânicas, a satisfação de necessidades fisiológicas – nada disso – é práxis.

Práxis é o nome dado às atividades em que a humanidade se realiza, o gênero humano se expande, os sujeitos fazem escolhas, tomam decisões e agem. Trata-se, portanto, de uma espécie de atividade que precisa da teoria, que depende de conhecimentos teóricos, de informações atualizadas. E depende também, a partir de um certo nível de complexidade, de construções filosóficas.

A experiência histórica dos brasileiros, nesse aspecto, não é tão rica como todos nós gostaríamos que fosse. Discutimos pouco e de maneira freqüentemente emocional. Tenho a impressão de que debatemos às vezes sobre questões irrelevantes. Aí, perdemos tempo.

É muito bom sabermos que estão circulando nas escolas superiores as construções filosóficas de Gramsci, de Lukács, de Adorno ou de Benjamin. É claro que esses magníficos pensadores marxistas não vão resolver os nossos problemas. Estamos muito distanciados deles, no espaço e no tempo.

 Para lidar com as construções filosóficas de grandes pensadores, porém, não podemos nos limitar a agregar os pensamentos deles aos nossos. Devemos aproveitar as idéias dos gigantes pensando por conta própria. Dialogando com eles. Sem subserviência, mas com muito respeito.

Nosso companheiro Carlos Nelson Coutinho vem realizando, através do estudo das obras de Gramsci, um trabalho exemplar, como tradutor e também como crítico.

Por um lado, uma boa fundamentação teórica só pode resultar de muito esforço, de muita perseverança (e uma forte consciência de que nenhuma teoria vale de maneira absoluta para todos os tempos).

Por outro lado, a tarefa se torna ainda mais dura, porque o conhecimento, dialeticamente, necessita de um atento e severo exame crítico dos problemas político-culturais que abarcam a nossa atuação num espaço mais amplo e menos restrito.

E Carlos Nelson Coutinho demonstra como, a partir da dialética do universal e do particular, o falecido Gramsci nos ajuda a pensar o Brasil e o Brasil nos ajuda a pensar Gramsci.

A elaboração da teoria política corresponde não só às exigências imediatas da luta de classes, mas também às necessidades dos conflitos menores, de interesses locais, e, para complicar ainda mais a cabeça dos combatentes, aos aspectos mais significativos, mais universais do processo histórico de autoconhecimento, de autodescoberta, de autoinvenção e de autolibertação da humanidade.

Há uma grande quantidade de jovens convergindo para o PSOL. Certamente na expectativa de encontrar no nosso partido um ambiente saudável para a teoria engajada, isto é, para a praxis.

Esses jovens nos trazem ricas potencialidades para superarmos os limites do nosso conhecimento ainda acentuadamente empírico. E que podem nos levar a uma praxis que nos permita dizer: theoro.


Leandro Konder é filósofo marxista

Confira o texto original aqui

Elson de Melo é Presidente do PSOL/AM

Executiva Nacional faz balanço das eleições: PSOL está mais forte para lutar por um outro país

Na resolução, o PSOL conclui que com o bom resultado eleitoral de Luciana Genro, com a ampliação da representação parlamentar em nível federal e nos estados, com uma política acertada de independência no segundo turno, “as eleições de 2014 trazem um saldo positivo para o PSOL e para a luta pela construção de uma alternativa de poder popular, em aliança com outros atores sociais e políticos, para a construção do socialismo no Brasil”.
    
Do PSOL Nacional, Leonor Costa

A Executiva Nacional do PSOL realizou, na tarde desta segunda-feira (10), em Brasília, a sua primeira reunião após as eleições de outubro último. No encontro, que foi conduzido pelo presidente nacional do partido, Luiz Araújo, e que também contou com as presenças da ex-candidata à Presidência da República e presidente da Fundação Lauro Campos, Luciana Genro; do ex-candidato a vice-presidente, Jorge Paz; e do deputado federal, reeleito em 5 de outubro, Chico Alencar, os dirigentes fizeram um amplo debate sobre a participação do partido nas eleições, com base nos resultados das urnas e também nos três meses de campanha, e, ao final, aprovaram, sem nenhum voto contrário, a resolução com o posicionamento do partido a respeito do processo.

Nas intervenções, os membros da Executiva consideraram que o partido, por meio do trabalho de convencimento de seus candidatos e da militância, conseguiu pautar temas que de fato garantem melhores condições de vida e mais direitos para a população, se diferenciando substancialmente das demais candidaturas. Além de reafirmar que o PSOL sai mais forte desse pleito de 2014, considerando o aumento de sua bancada de deputados federais e estaduais e a aproximação com importantes setores dos movimentos sociais, a Executiva também indicou como será a atuação do partido diante do próximo mandato de Dilma e do Congresso Nacional, que será ainda mais conservador a partir de fevereiro do ano que vem. “Continuaremos como oposição de esquerda programática ao governo. As medidas que forem de arrocho e de retirada de direitos sofrerão as duras críticas do partido. Assim como no Parlamento, pautaremos as propostas que garantirão mais direitos para a população e continuaremos o enfrentamento firme contra o conservadorismo”, avaliou Luiz Araújo.

Luciana Genro também fez um balanço positivo do processo, reafirmando que o PSOL conseguiu se consolidar como a verdadeira alternativa de esquerda. Segundo ela, o PSOL seguirá, ao lado dos movimentos sociais, reivindicando as pautas que foram apresentadas nas ruas em junho de 2013. “O governo Dilma já é reeleito propondo arrochos na área econômica. Nesse sentido, seguiremos engajados nas ruas, ao lado dos movimentos sociais”, sinalizou.

Na resolução, o PSOL conclui que com o bom resultado eleitoral de Luciana Genro, com a ampliação da representação parlamentar em nível federal e nos estados, com uma política acertada de independência no segundo turno, “as eleições de 2014 trazem um saldo positivo para o PSOL e para a luta pela construção de uma alternativa de poder popular, em aliança com outros atores sociais e políticos, para a construção do socialismo no Brasil”.

Leia abaixo a resolução completa com o balanço sobre o processo eleitoral.

Lutar, com um PSOL mais forte, por outro Brasil

O PSOL cresceu nas eleições de 2014. Dobramos nossa votação em relação a 2010. Agradecemos a cada um dos 1.612.186 eleitores que destinaram seu voto ao fortalecimento das bandeiras que defendemos durante a campanha eleitoral. Fomos o único partido que apresentou candidaturas a governador ou vice em todos os 27 estados da federação e conseguimos dobrar a representação parlamentar do PSOL, que alcançou cinco deputados federais e doze deputados estaduais. Essas bancadas farão a diferença nos seus estados e no Congresso Nacional na luta por mais direitos. Nosso projeto sai fortalecido das urnas, conquistando o quarto lugar em uma eleição marcada pela desigualdade da cobertura da imprensa, dos erros das pesquisas, do impacto do poder econômico e do desequilíbrio no tempo de televisão. Nada disso teria sido possível sem a militância do PSOL, que fez a diferença e conquistou esse expressivo resultado. Cumprimos o nosso papel, apresentando a melhor candidata e as melhores propostas para o Brasil. Luciana Genro constituiu-se como a principal referência da esquerda coerente e este é um patrimônio do PSOL. O programa que defendemos é o programa necessário para que se avance em direção a um Brasil justo e igualitário, livre da exploração e de todos os tipos de opressão. Esta foi nossa principal missão política nestas eleições, e avaliamos que a cumprimos bem.

As eleições de 2014 foram as primeiras realizadas após as mobilizações populares ocorridas em junho do ano passado. Essas manifestações revelaram os limites do modelo político e econômico das elites no poder e na oposição conservadora, na medida em que o agravamento da crise urbana e a necessidade de maiores investimentos em transporte público, educação, saúde e moradia contrastaram com os altos custos da realização da Copa do Mundo no Brasil e a forte repressão policial aos protestos. O resultado foi percebido na corrida presidencial deste ano, na qual os candidatos das principais coligações buscaram dialogar desde o início com o desejo de mudanças que junho de 2013 revelou e que foi confirmado por todas as pesquisas.

Essas eleições foram marcadas pelo signo da mudança. Mesmo a candidata de situação, Dilma Rousseff, teve que dialogar com esse sentimento, através da consigna “muda mais” e “governo novo, ideias novas”. Os demais candidatos da oposição conservadora, embora compartilhassem do mesmo programa em aspectos essenciais, também empreenderam o esforço de apresentar-se como representantes da “verdadeira mudança”. Aécio Neves chegou a ressuscitar o slogan do avô, Tancredo Neves, em 1985: “muda Brasil”.

Os limites do atual modelo, porém, não se revelaram apenas através do aumento das mobilizações populares, cuja repressão aos movimentos de rua, aliás, chegou a ser uma política comum de todos os governos (federal e estadual), unificando a maioria dos partidos, do PT ao PSDB, em torno do discurso favorável à Copa do Mundo tal como realizada, sendo o PSOL o único partido a votar em bloco contra a Lei Geral da Copa, que garantiu amplos poderes para a FIFA, e a questionar na Câmara dos Deputados a “Garantia da Lei e da Ordem”, projeto que visava autorizar as forças armadas a intervir em protestos de rua. Além disso, os dados da economia também demonstram o esgotamento da estratégia de crescimento via exportação de commodities e estímulo do mercado interno com a manutenção da ortodoxia dos juros altos, câmbio sobrevalorizado e superávits primários. A expectativa de queda drástica do PIB (de 2,3% em 2013 para menos de 1% em 2014) é só a face mais visível deste processo. A desaceleração da economia se sente na estagnação da geração de empregos – embora ainda não redunde num aumento do desemprego – e na desaceleração da atividade industrial, que cresceu bem abaixo do PIB em 2013 (1,5%).

Amparada nas exportações de bens primários, no mercado interno – em franca desaceleração – e nas grandes obras de infraestrutura estimuladas pela Copa do Mundo e Olimpíadas, muitas delas ainda inacabadas pelo país afora, a economia mostra sinais de enfraquecimento. A dependência externa e a indução ao consumo e endividamento desenfreado dos trabalhadores nos últimos anos cobram seu preço. Assim, as eleições se iniciaram com um enorme desgaste do atual governo, causado, dentre outras razões, pelo aumento da sensação de corrupção desenfreada a partir das denúncias envolvendo a Petrobrás. A oposição conservadora, porém, não foi capaz de apresentar um projeto substantivamente distinto.

As três principais candidaturas defensoras do atual modelo (Dilma, Aécio e Campos) iniciaram a campanha com cautela e reafirmando seus compromissos com a agenda macroeconômica dos bancos, empreiteiras e agronegócio. O cenário só se alterou com o acidente aéreo que vitimou o candidato do PSB em agosto. A comoção criada em torno da morte de Campos permitiu que Marina Silva, que havia obtido 20 milhões de votos em 2010 e aceitara a condição de vice na chapa do PSB, surgisse como a grande novidade das eleições. Atenta ao desejo de mudanças, Marina buscou apresentar um discurso que negasse a “velha política” e afirmasse um novo projeto para o país.

Não demorou, porém, para que o discurso de Marina se desfizesse no ar. Defendendo autonomia do Banco Central, aconselhando-se com economistas neoliberais, associando-se a uma das principais acionistas do Banco Itaú, distribuindo afagos ao agronegócio e alterando temas polêmicos de seu programa de governo, Marina revelou a face conservadora de seu projeto. Sob fortes ataque do PT e PSDB, desmoronou em poucas semanas, permitindo a “virada” de Aécio Neves na última semana de campanha. A derrocada de Marina mostra que as elites brasileiras não estão dispostas a aventuras e o povo não se deixa enganar por falsos discursos de renovação.

Luciana Genro e a vitória do PSOL

O PSOL enfrentou todo o primeiro semestre tendo como pré-candidatos à Presidência e à vice, respectivamente, o senador Randolfe Rodrigues (AP) e a companheira Luciana Genro. A renúncia do candidato escolhido no Congresso Nacional do partido, apenas quinze dias antes de nossa Convenção, trouxe dificuldades. Felizmente, a companheira Luciana Genro se mostrou disposta de pronto a cumprir a tarefa de representar o PSOL na disputa, trabalhando em conjunto com a direção do partido para unificar todos em torno da campanha. Para isso, foram promovidos pela Fundação Lauro Campos e pelo partido seminários programáticos em diversas capitais, que contribuíram com o objetivo de fortalecer a unidade partidária.

A Convenção Nacional, realizada em Brasília, foi uma demonstração de unidade partidária, afirmando por consenso o nome de Luciana e aprovando as diretrizes gerais para o Programa de Governo. Iniciada a campanha, fosse nas atividades de rua, nas agendas de imprensa ou nos debates de televisão, Luciana expressou uma boa síntese das posições do PSOL. Resultado disso foi a construção de um Programa de Governo muito completo, construído a muitas mãos e apresentado no final de setembro. Eventuais divergências de leitura sobre a conjuntura ou de abordagem sobre determinados temas foram, em geral, secundarizados, garantindo uma campanha bastante unitária. Não obstante algumas críticas de setores minoritários do partido – o que é legítimo – a avaliação geral do desempenho do PSOL e de sua candidata é altamente positivo.

Destacando-se nos debates e diferenciando-se das demais candidaturas, Luciana cresceu na reta final. O resultado eleitoral – 1,55% dos votos – além de registrar um crescimento em relação a 2010 (quando obtivemos 0,88% dos votos), consolidou o PSOL como uma força política relevante no país, nos separando das candidaturas consideradas menores. Mesmo partidos mais bem estruturados nacionalmente, como o PV e o PSC (este com o apoio de dezenas de igrejas evangélicas pelo país) tiveram um resultado muito aquém do obtido pelo PSOL. A abissal diferença da votação de Luciana em comparação às demais candidaturas da esquerda socialista – PCB, PSTU e PCO – fala por si. Somadas, essas candidaturas obtiveram menos de 10% da votação total de Luciana.

Assim, nossa chapa expressou um importante acúmulo nos movimentos sociais mais dinâmicos da conjuntura após as jornadas de junho. Estivemos junto com o MTST, MLB, Brigadas Populares, entre outros movimentos de moradia. Nossa campanha empalmou com a luta da comunidade LGBT, mobilizando esse setor ao redor da linha “por mais direitos”. Recebemos apoios de intelectuais e da opinião pública contemporânea, como Gregório Duvivier, Márcia Tiburi, Marina Lima, blogueiros e blogueiras da esquerda. A juventude realizou eventos de grande impacto, “viralizando” a campanha nas ruas e nas redes.

A presença de Jorge Paz, histórico militante da luta operária de São Paulo como candidato a vice-presidente, expressou o compromisso de todos os setores partidários com a campanha de Luciana. A formação de uma coordenação de campanha ampla – tendo como coordenador-geral o companheiro Luiz Araújo, presidente nacional do PSOL – foi um gesto de unidade partidária. O mesmo pode-se dizer da bancada federal e de outras lideranças, que se engajaram fortemente na campanha.

Com uma boa campanha presidencial, os resultados para a Câmara dos Deputados e para as Assembleias Legislativas também foram positivos. Além de reeleger nossos atuais deputados federais – companheiros Chico Alencar (RJ), Jean Wyllys (RJ) e Ivan Valente (SP) – o PSOL ampliou sua bancada na Câmara dos Deputados, com a eleição dos companheiros Daciolo (RJ), líder da histórica greve dos bombeiros em 2012, e do companheiro Edmilson Rodrigues (PA), ex-prefeito de Belém e deputado estadual mais votado da história do Pará em 2010.

Na disputa aos parlamentos estaduais o PSOL também cresceu. Passamos dos quatro deputados estaduais eleitos em 2010 para doze vagas, sendo uma no Rio Grande do Sul, duas em São Paulo, duas no Amapá, cinco no Rio de Janeiro, uma em Pernambuco e uma no Ceará. O desempenho das nossas candidaturas a governador também mostra um crescimento. Na maioria dos estados, o PSOL apresentou-se como alternativa à polarização das velhas máquinas partidárias, alcançando bons resultados, dentre os quais merecem destaque o do companheiro Tarcísio, no Rio de Janeiro, e do companheiro Robério Paulino, no Rio Grande do Norte, que alcançaram quase 10% dos votos cada um.

Outro saldo altamente positivo é a construção de um Programa de Governo unitário. Foi a primeira vez que o PSOL teve um documento dessa envergadura aprovada por suas instâncias. Abordando 23 temas diferentes, de política externa à saúde, de segurança pública a direitos humanos, o Programa de Governo do PSOL mostrou que é possível construir consensos internamente quando necessário.

O segundo turno

O PSOL esteve presente no segundo turno em apenas uma disputa: no Amapá, onde compusemos a chapa de Camilo Capiberibe (PSB) contra o retrocesso representado pelo sarneyzismo. Com isso, além de eleger dois deputados estaduais, conseguimos influenciar os rumos da luta contra o retrocesso representado pelos aliados de Sarney no segundo turno, que, apesar disso, saíram vitoriosos.

Em nível nacional, a disputa presidencial repetiu a polarização das últimas cinco eleições entre PT e PSDB. Polarização falsa no que diz respeito à gestão da política macroeconômica, ganhou profundidade com a disputa em torno da manutenção dos programas sociais e do papel dos bancos públicos, dentre outros temas trazidos ao debate pela candidata petista. Isso levou a candidatura tucana a encarnar no segundo turno uma diferenciação ideológica, atraindo para si forças reacionárias do espectro político e social brasileiro e favorecendo, assim, uma polarização acentuada que viria a animar contra si forças progressistas não mobilizadas no primeiro turno.

O PSOL, de forma acertada, se posicionou rápido. A resolução aprovada por sua Executiva Nacional vetava qualquer manifestação de seus militantes em favor de Aécio Neves e permitia tanto a defesa do voto nulo ou branco quanto a defesa do voto crítico em Dilma Rousseff. As manifestações em favor da petista não comprometeram a resolução aprovada, uma vez que o PSOL enquanto partido preservou sua autonomia e independência durante todo o segundo turno.

Perspectivas para o futuro

Os primeiros sinais de Dilma após a vitória foram contraditórios. Num dia, aponta uma reforma política com contornos progressistas como prioritária. No outro, aumenta a taxa de juros para 11,25% para alegria dos especuladores do mercado financeiro e anuncia o aumento da gasolina. No essencial, não deve deixar de ser um governo de pacto com frações da burguesia. O que está em questão é se a vitória por pouco mais de 3% vai fazer com o que o PT e o governo retomem algum tipo de relação com a agenda dos movimentos que esperam algum avanço ou se fará com que ambos se inclinem ainda mais à direita, buscando recuperar terreno junto aos setores médios mais conservadores e às elites que apostaram em Aécio.

A proposta de reforma política do Congresso Nacional é retrógada. Precisamos construir ampla unidade para defender a pauta da nossa reforma política, com base nos pontos apresentados no programa de Luciana Genro e, ao mesmo tempo, evitar qualquer retrocesso contra os partidos da esquerda combativa, explícito, por exemplo, na proposta da chamada cláusula de exclusão. Por essas razões, o PSOL seguirá vigilante, mantendo sua coerência e independência política e sua condição de oposição programática e de esquerda. Defenderá as medidas que representarem avanços para os trabalhadores e trabalhadoras, como ocorreu recentemente diante da ofensiva conservadora contra a Política Nacional de Participação Social (PNPS). Mesmo limitada, esta medida é um avanço democrático que contou com o apoio da nossa bancada na Câmara dos Deputados. Prova de que o PSOL não a apoiava por ser uma proposta do governo, é que tão logo a coalizão conservadora a derrotou, a bancada do PSOL a reapresentou na forma de Projeto de Lei, porém sem alguns vícios de origem que o projeto governista continha. Diante das medidas que representem ataques ao povo brasileiro, o PSOL se levantará como tem feito desde sua fundação, denunciando o governo e quem a ele estiver associado. Este é o papel de um partido de oposição de esquerda e programática.

O crescimento do fundamentalismo religioso, da bancada ruralista e das empreiteiras (hoje majoritárias entre os 513 deputados federais), da bancada da bala e de outras aberrações como essas, exigirão do PSOL uma melhor articulação para frear as investidas contra os direitos do povo. Fora do parlamento precisaremos de apoio dos movimentos sociais combativos para fazer frente – de fora pra dentro – aos ataques do conservadorismo. O crescimento da direita é também reflexo das opções políticas do PT com vistas a assegurar a chamada “governabilidade” com setores da burguesia. Cada vez mais, os sintomas da crise econômica e social anunciam mais choques. Dilma anunciou a realização de ajustes como o aumento da taxa de juros para 11,5%, assim como o anunciado aumento da gasolina. Nomes são especulados em meio ao sistema financeiro para a chefia do Ministério da Fazenda. Como afirmamos, o governo seguirá, em essência, um cartilha conservadora, para que a conta dos ajustes seja paga pelos trabalhadores, enquanto beneficia o bancos, agronegócio e empreiteiras.

A prioridade do partido é preparar a luta contra quaisquer ajustes e fortalecer a luta por mais direitos. Devemos denunciar desde já quaisquer medidas regressivas, como forma inclusive de dialogar com a desilusão que deve tomar os setores que apoiaram Dilma no segundo turno como veto ao Aécio. Devemos denunciar o problema dos juros e da dívida de forma pedagógica, ou seja, explicando que as cinco mil famílias mais ricas do país seguem lucrando, enquanto o povo paga com cortes nas áreas sociais, penando com serviços públicos precários, aumento das tarifas e crise energética e hídrica. O PSOL participará de forma ativa das lutas que se aproximam, desde a sua organização e formulação, convocando sua militância, pela reforma política e pela democratização dos meios de comunicação, também pelos direitos LGBTT e pela desmilitarização da PM, pela demarcação das terras indígenas e contra o avanço das terceirizações; lutando pelo aumento do salário mínimo, a revisão da Lei de Anistia e a regulamentação do imposto sobre grandes fortunas, colaborando nas articulações de movimentos e partidos por reformas estruturais, exigindo do governo avanços no cumprimento dessa pauta e combatendo o conservadorismo em parceria com os movimentos sociais.

Com o bom resultado eleitoral da companheira Luciana Genro, com a ampliação de nossa representação parlamentar em nível federal e nos estados, com uma política acertada de independência no segundo turno, concluímos que as eleições de 2014 trazem um saldo positivo para o PSOL e para a luta pela construção de uma alternativa de poder popular, em aliança com outros atores sociais e políticos, para a construção do socialismo no Brasil.

Viva o PSOL!
Viva o Brasil!
Viva o Socialismo!